“Il Doctore” robótico

08 novembro 2017

Não são apenas os construtores automóvel que andam a estudar soluções de condução autónoma. No mundo das duas rodas, a Yamaha tem vindo a desenvolver um sistema com o mesmo objetivo, mas por agora a moto não se conduz a si própria; é conduzida por um robô.

O objetivo para o futuro é retirar o robô da equação, mas até lá ainda há um bom caminho a percorrer. Ainda assim, os sucessos conseguidos até ao momento são já dignos de nota. Num verdadeiro duelo máquina vs homem, o Motobot, apresentado pela marca em 2015 e em constante desenvolvimento desde então, encheu-se de garra, não fez por menos, e desafiou o herói de milhões de adeptos do motociclismo... “Il Doctore”.

Sempre disponível para participar em todo o tipo de ações de promoção da marca para a qual corre, e incapaz de rejeitar uma oportunidade de assumir os comandos de uma máquina e rodar a alta velocidade, Valentino Rossi não se fez rogado e aceitou o desafio.

O duelo, uma volta aos 3,2 km da pista de norte-americana de Thunderhill Raceway Park, perto de Sacramento, Califórnia, terminou com o transalpino a superar o robô por quase 32 segundos. Uma margem enorme em termos de competição, mas que neste caso tem de ser analisada de forma bem diferente e tem de ser considerada impressionante, mas de forma positiva para a máquina.

Para começar, quem de todos nós, comuns mortais com paixão pelas duas rodas, seria capaz de ficar a 32 segundos do nove vezes Campeão do Mundo de motociclismo? Seguramente não muitos. Junte-se a isto o facto da moto em causa ser uma YZF-R1M de fábrica. Uma máquina com motor atmosférico de quatro cilindros, com uma cilindrada de 1.000cc e sem qualquer tipo de alteração, ou seja... Rossi e o Motobot tiveram de rodar punho para acelerar, premir a manete da embraiagem e trocar as mudanças com o pé esquerdo, além de travarem com a mão e pé direitos.

Como se tal não bastasse, e como que para reduzir a “vantagem” do Motobot ter o traçado da pista programado na sua memória, houve também a necessidade, como sempre, de lidar com os caprichos do tempo. Não é que as condições climatéricas estivessem más, pelo contrário, mas a verdade é que o vento tem muitos caprichos, e uma qualquer rajada pode ser sempre matreira. E se o homem está há muito programado para lidar com isso, ainda para mais quando falamos de Valentino Rossi, já um robô tem mais dificuldades em lidar com o inesperado... tem de o aprender antes para responder depois.

Tudo isto faz com que estes quase 32 segundos de diferença entre ambos sejam coisa pouca. Ou, se quiserem, têm de ser vistos mais como se se tratassem da diferença entre primeiro e segundo ao cabo de uma corrida de resistência, e não como a diferença de dois pilotos ao cabo de apenas uma volta.

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