Uma paixão que dura, dura... há 61 anos

20 janeiro 2017

Não deve haver muita gente que ainda conserve um carro adquirido há 61 anos mas Victor Moreira Lopes sim, porque este é um MG a marca da sua paixão.  E isso explica o facto de nunca se ter desfeito dele.

No ano em que comprou este MG A, vendeu um outro, modelo TS, porque lhe disseram que não seria tão seguro nas estradas da Madeira para onde ia viver temporariamente. Teve pena, privilegiou a sua segurança, mas não evitou o arrependimento. E a forma de se redimir foi comprar um novo MG.

Foi tudo muito rápido entre a venda do TS, por 11 contos, e a compra do MG A que custou 72 contos. “Tive tanta pena de me desfazer do MG TS que só podia comprar outro” afirmou este engenheiro agrónomo que ainda se lembra do dia em que foi ao stand da Av. da Liberdade como se fosse ontem. “Na altura só havia este MG A à venda mas não gostei da cor. Mesmo assim comprei-o por influência da minha mulher que o achou giro. Também não podia esperar mais, porque de seguida tinha de embarcar para a Madeira onde vivi dois anos por motivos profissionais”.

E os episódios curiosos que foi acumulando ao longo de mais de seis décadas começaram logo ali, naquele dia de agosto de 1956 quando saiu do stand ao volante do seu MG verde “ a esplanada junto ao elevador da Glória estava cheia com todos a olharem para o carro. Foi um sucesso. Mas a coisa continuou depois na Madeira onde não havia outro igual”.

De regresso ao Continente, em 1958, mais um episódio também digno de nota e que envolveu a polícia. “Ia para Cascais quando um polícia me mandou parar, mostrei-lhe os documentos mas fui multado na mesma porque não trazia as palas contra o sol no vidro da frente. Fui a tribunal mas fiquei absolvido porque o livrete do carro não fazia referência a esses dispositivos contra os raios solares”.

Sempre que o tempo permite, Victor Moreira Lopes não dispensa um passeio de MG A, um carro que utilizou sempre nas diversas viagens que fez pela Europa. Itália, Suíça ou Holanda são alguns destinos que ainda hoje recorda com saudade.

Entre 1955 e 1962 o mercado nacional recebeu apenas 130 modelos MG A, cujos protótipos começaram a ser construídos em 1951. Mais tarde, os modelos de produção correram em Le Mans na expetativa de vencerem na sua classe e só depois é que começaram a ser comercializados. Assumidamente um puro desportivo inglês, o MG A veio romper com a estética clássica dos desportivos da altura que assentava mais nas linhas do MG TS, do qual Victor Moreira Lopes se desfez.

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