Vale mais o carro ou quem o conduz?

28 dezembro 2017

Já aqui nos debruçámos sobre o que pode fazer um clássico valer milhões e a proveniência é uma delas. Mas a questão que agora se coloca é até que ponto o “fator celebridade” influencia o valor.

As opiniões variam e os resultados também, mas uma coisa é certa: nada é "tabelado". Depende muito da perceção que se tem da celebridade, do “valor” que lhe é atribuído.

Há cinco anos, por exemplo, o Ferrari 857 de 1955 que pertenceu a Andy Warhol, mas que apenas foi conduzido em Nova Iorque por um motorista contratado pelo ícone da pop art, foi arrematado por 6,2 milhões de dólares num leilão da Gooding & Company. Os especialistas são unânimes: o “fator celebridade” em nada contribuiu para o valor de venda do carro.

O mesmo se passa no Ferrari SWB California Spider que, alegadamente, foi de Alain Delon. O carro foi vendido em 2015 por 14 milhões de euros e se não estivesse associado ao nome do ator francês teria sido vendido provavelmente pelo mesmo valor.

Mas há outros carros que, não fossem os famosos que se sentaram nelas, nunca teriam atingido valores exorbitantes.

Steve McQueen parece ter um toque de Midas no que respeita a carros... Pelo menos por enquanto. Considerado por muitos o maior fanático de carros do mundo, houve automóveis que foram tocados por ele e que foram vendidos por valores estratosféricos. O Porsche 911 usado na sequência de abertura do filme Le Mans foi vendido por 1,3 milhões de dólares, o Ford GT 40 usado no mesmo filme foi arrematado por 11 milhões e o seu Ferrari 275 GTB/4 trocou de mãos por 10 milhões. Em qualquer dos casos, o valor de venda foi pelo menos o dobro do que seria de esperar por exemplares que não tiveram o toque de “Midas McQueen”.

O mesmo sucedeu com o Land Rover Serie I que foi oferecido a Winston Churchill no seu 80º aniversário. O carro foi leiloado por 119 mil libras há cinco anos, por um valor quatro vezes superior ao de qualquer outro carro igual em condições “mint”.

Contudo, estas realidades existem apenas graças a um conjunto de fatores que, é preciso não esquecer, podem, ou tendem, a deixar de existir. Quem nasceu até à década de 1950 é mais provável que dê um maior valor a um carro de Steve McQueen, mas os mais jovens menos valor dão ao ator e ao facto de ter conduzido o modelo em questão. Quem nasceu há 18 anos provavelmente nem sabe quem foi McQueen...

O mesmo acontece com Churchill, se bem que aqui o papel que desempenhou na Segunda Guerra Mundial poderá contribuir para uma maior “longevidade” do valor acrescentado pelo nome ao carro.

O “fator celebridade” é, por tudo isto, algo de intangível e, a não ser que o carro vá passando de celebridade em celebridade – e que lhe dêem uso – o valor acabará por cair ao longo do tempo. Mas até lá, há que aproveitar.

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