Baja: “Fui um vencedor muito improvável”

29 outubro 2016

Se há casos em que há vencedores improváveis, o de António Bayona é um dos mais exemplares. “Tínhamos um Mitsubishi Pajero praticamente de série, já velhinho, isto é, com cerca de seis anos, em que apenas pusemos uns amortecedores mais rijos, um roll-bar e cintos. Eu nem sabia o que era o TT, mas ganhámos. Fui um vencedor altamente improvável”. O piloto não podia faltar a partida da 30ª edição (na foto ao lado da autarca de Portalegre, Adelaide Teixeira). 

Bayona já trazia alguma experiência dos ralis quando foi confrontado com um admirável mundo novo, o do Todo Terreno. “Quando o saudoso José Megre decidiu lançar a Maratona de Portalegre, poucos sabiam do que se tratava. Fui desafiado a participar e arranjámos um Pajero 2300 TD, para correr a par de carros bizarros como Citröen 2CV e Ford Escort, entre outros mais apropriados para o efeito, como os UMM. A prova era muito lenta. Era um percurso de 400 quilómetros para fazer duas vezes, isto é, foram 800 quilómetros que percorri em mais de 12 horas. Só parávamos para reabastecer, para depois continuarmos a enfrentar quantidades enormes de lama. Felizmente, fui conseguindo ultrapassar os obstáculos, como a lama e as valas. Os caminhos eram muito estreitos.

No fim da primeira volta, estava em 4º lugar. Mantivemos a nossa persistência e conseguimos evitar ficar atascado. Esse era o grande perigo, ficar atascado e isso aconteceu aos melhores. No final, deu-se um episódio bizarro: Como o Santinho Mendes chegou primeiro do que eu, pois havia partido primeiro, todos ficaram convencidos de que ele era o vencedor. Chegou a celebrar e a subir ao pódio, mas depois de terem sido verificados os tempos, descobriu-se o erro: os vencedores afinal eramos nós. Agora é tudo muito mais profissional, não tem comparação com aqueles tempos.

A verdade é que aquela vitória definiu o meu futuro desportivo. Seguiram-se mais 20 anos de TT, em que fui piloto oficial da Mitsubishi e também da Nissan. Infelizmente, nunca mais ganhei uma prova na minha vida. Venho cá todos os anos, nem que seja só para ver, mas é caso único pois não gosto de ir ás corridas sem correr, dói cá dentro.

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