Birras a alta velocidade

10 agosto 2017

A rivalidade entre pilotos é sempre muito grande e se na maior parte das vezes o que acontece em pista fica na pista, situações há em que a realidade é bem diferente: o que aconteceu na prova ultrapassa os limites da pista e passa para o campo da troca de acusações em público entre os pilotos... Por vezes até mesmo um pouco mais que isso.

Os exemplos mais recentes vêm das pistas. Já com os dias quentes de verão e meio País a banhos, Tiago Monteiro não gostou da atitude dos pilotos Volvo na corrida de abertura do WTCC em Termas de Río Hondo, que lhe bateram no Honda logo na partida e o levaram a perder algum controlo no carro e ir contra o colega de equipa, Nobert Michelisz. Não satisfeito, Nick Catsburg entrou de forma mais agressiva na Curva 3, tentando colocar o português, que lidera o Campeonato, fora de pista. Monteiro reagiu: “Se é assim que querem jogar... temos de pensar nisso. Vimos que estão preparados para fazer tudo para ganhar o campeonato. Também nós estamos.”

"O que aconteceu foi uma falta de respeito." – Lewis Hamilton

Em brasa anda o mundo da Fórmula 1 às voltas com a novela Hamilton-Vattel. Tudo começou com a reação de Lewis Hamilton após Sebastian Vettel lhe ter batido no carro, no Grande Prémio do Azerbaijão. Pensando que o piloto britânico tinha travado de propósito, Vettel colocou-se ao lado do Mercedes e tocou-lhe com a roda direita frontal de forma propositada.

A resposta de Hamilton não tardou: “Sair praticamente impune depois do que ir contra outro piloto é uma vergonha para ele. Se quer provar que é um homem devia faze-lo fora do carro, cara a cara. O que aconteceu foi uma falta de respeito. Espero que as crianças ao verem isto não pensem que está certo. Não é assim que se compete." As desavenças entre os dois pilotos prometem continuar até ao fim da temporada.

Já do Mundial de Ralis existe uma histórica e famosa zanga entre dois antigos vencedores do Rally de Portugal. Walter Röhrl e Michele Mouton foram protagonistas de uma troca de palavras que, mais tarde, se ficou a saber que não tinha passado de uma má interpretação e enquadramento de uma declaração do Röhrl.

"Até um chimpanzé podia ser Campeão com um carro de tração integral." – Walter Röhrl

Decorria o ano de 1982, quando o alemão se sagrou campeão do mundo de ralis pela segunda vez (e graças ao abandono da francesa no Rali Costa do Marfim). Muito insatisfeito com as potencialidades do Opel Ascona 400, Röhrl não encontrou melhor forma de apontar o dedo ao melhor nível tecnológico do Audi Quattro do que dizer que até um chimpanzé podia ser campeão com um carro de quatro rodas motrizes. Foi a delícia da imprensa na época... só que (muito) mais tarde o piloto alemão acabaria por clarificar que tinha sido tudo um grande mal entendido. Afinal, garantiu, sempre foram bons amigos.

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