Reviver a dureza do rally de outros tempos

28 setembro 2017

A maior festa do revival automobilístico está de volta. O Rally de Portugal Histórico  parte para a estrada na próxima semana. Uma história que todos os anos é escrita por quem nele participa, mas sobretudo pelos troços percorridos à semelhança dos anos mais duros do Rally de Portugal.

Embora seja uma competição, um dos grandes objetivos do Automóvel Club de Portugal aquando do lançamento do Rally de Portugal Histórico era fazer da prova um cartão de visita turístico do País. Uma meta que, 12 edições depois, foi totalmente atingida logo desde o primeiro Rally.

Testemunho disso é o crescente interesse de pilotos nacionais e estrangeiros pelo Rally de Portugal Histórico, com particular destaque para franceses e belgas. Um interesse, é certo, que também se deve muito ao facto de estarmos a falar de uma das mais exigentes e prestigiadas provas de Regularidade Histórica da Europa.

É impressionante ver o quanto os pilotos lutam pelas melhores posições, a quantidade de subidas e descidas na classificação. Não é raro o vencedor só ser conhecido bem perto do cair do pano, da mesma forma que é fácil ver uma prova ir completamente por água abaixo momentos após a partida. 

Mas esse é precisamente um dos grandes trunfos desta competição do ACP. Às paisagens deslumbrantes da prova, com passagens pelo Douro Vinhateiro, Piódão, Lamego, Arganil, Figueira da Foz, Viseu, Leiria e as incontornáveis duas passagens noturnas pelos troços de Sintra,  junta-se o nível de dificuldade que tanto agrada os pilotos. Para eles, o mais importante não é a velocidade, mas precisamente a exigência e dureza da regularidade da prova ao mesmo tempo que se descobre o troço.

Sim, o Rally de Portugal Histórico é uma prova de percurso totalmente secreto. Enquanto nas provas do Mundial de Ralis os pilotos fazem reconhecimentos, no Rally de Portugal Histórico o percurso de cada Secção só é revelado com a entrega do Road Book no momento da partida. Até lá, ninguém sabe o caminho e, mesmo com o Road Book na mão, não há certezas absolutas... É que essa é outra das exigências características desta prova – obrigar os navegadores a fazerem uma interpretação exímia das indicações que lhe são dadas e transpô-las da melhor forma possível para o percurso.

Já lhe começa a parecer que é muita coisa? Então junte-lhe agora o que parece ser fácil mas, na verdade, de fácil não tem nada. Tem dúvidas? Então imagine-se, por exemplo, numa estrada municipal do Douro Vinhateiro, repleta de curvas e contracurvas, com videiras de um lado e ravina do outro. Agora faça-a toda a uma média de 50, ou 60 km/h. É escolher. De certeza que quando chegar ao final e fizer as contas vai ver que ficou bem aquém do objetivo e sofreu várias penalizações...

Mas todas estas emoções, disputas e paisagens dignas dos melhores postais turísticos de Portugal são apenas um dos lados da medalha que é o Rally de Portugal Histórico. No reverso temos os carros, as máquinas que fazem bater mais forte os corações e que, no fundo, são o centro de todas as atenções. E que máquinas!

Aberto a carros construídos entre 1 de janeiro de 1946 e 31 de dezembro de 1985, a prova do ACP abarca 39 anos de história do automobilismo, com modelos diversos, ainda que com predomínio da Porsche.

A potência, mas acima de tudo a vasta janela de disponibilidade de binário, fazem com que os 911 sejam os carros de eleição de muitos participantes e os vencedores crónicos do Rally. Em 11 anos de prova, o carro germânico impôs-se sete vezes, as últimas quatro consecutivas. Talvez por isso não seja surpresa que dos 101 inscritos para o Rally que se disputa entre 3 e 7 de outubro, 37 sejam Porsche. Sim, 37. E destes, 21 são 911

Mas há outros modelos que seguramente também despertam memórias do público e são dignos de referência. O Datsun 240Z (foi um destes que venceu a primeira edição da prova), o Alpine Renault, o Fiat 124 Abarth, o Toyota Cellica 1600 GT, o Ford Escort RS, o Alfa Romeo Alfeta GT1600, o Audi Quattro e o Ferrari 308 QV são apenas alguns exemplos desses carros que nos fazem viajar no tempo pelas memórias que nos despertam.

Programa

3 de outubro – 1ª Etapa: Estoril / Figueira da Foz
4 de outubro – 2ª Etapa: Figueira da Foz / Arganil / Viseu
5 de outubro – 3ª Etapa: Viseu / Lamego / Viseu
6 de outubro – 4ª Etapa: Viseu / Aguieira / Leira / Estoril
7 de outubro – Almoço de distribuição de prémios

Palmarés
2016 – Yves Deflandre / Joseph Lambert, Porsche 911 2.7 (1972)
2015 – João Mexia / Nuno Machado, Porsche 911 (1973)
2014 – João Mexia / Nuno Machado, Porsche 911 (1973)
2013 – João Mexia / Nuno Machado, Porsche 911 (1973)
2012 – Joseph Lareppe / Joseph Lambert, Opel Kadett GT (1978)
2011 – Joseph Lareppe / Joseph Lambert, Opel Kadett GT (1978)
2010 – Ricardo Alonso / Moises Alvarez, Ford Escort
2009 – Raymond Horgnies / Christophe Hayez, Porsche 911
2008 – José Grosso / João Sismeiro, BMW 2002 Tii
2007 – Pedro Jerónimo / Carlos Hipótilo, Porsche 911 Carrera
2006 – Camilo Figueiredo / António Caldeira, Datsun 240Z

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