60 anos de evolução da segurança automóvel

06 setembro 2016

Sessenta anos são uma vida, mas em termos de segurança automóvel esse período assemelha-se mais a uma eternidade. Foi com o intuito de avaliar o fosso que nos separa de há seis décadas que a SEAT levou a cabo uma comparação simples entre o SEAT 600 D de 1963, e irmão do FIAT 600, com o SEAT Ibiza FR do presente, a interpretação espanhola do germânico VW Polo.

O 600 da marca espanhola não tinha encostos de cabeça, quanto mais airbags. Apesar das primeiras patentes de encostos de cabeça remontarem aos anos 20 e 30 do século passado, a verdade é que este sistema, crucial na prevenção das lesões causadas pelo efeito de chicote, só passou a ser obrigatório no setor automóvel no final dos anos 60. Já os airbags são bem mais recentes, da última década do século 20, pelo que tais equipamentos ainda nem sequer faziam parte dos sonhos de há 60 anos. Mas hoje dia, um SEAT Ibiza chega a poder ter seis airbags.

Ainda na segurança passiva, os cintos de segurança começaram a surgir, precisamente, nos anos 60, mas nessa altura eram meras cintas que o utilizador tinha de ajustar ao corpo na região da cintura – como ainda hoje acontece nos aviões comerciais. Agora, e de há vários anos a esta parte, todos os carros estão dotados de cintos de três pontos, autoajustáveis e com pré-tensores. Além disso, se há 60 anos apenas os lugares da frente contavam com este sistema de retenção, no presente todos os lugares têm de estar equipados com cintos de segurança e a utilização dos mesmos é obrigatória, até mesmo nos lugares traseiros.

Outro ponto em que as diferenças entre o 600 e o Ibiza são abissais diz respeito aos travões. O SEAT 600 estava equipado com travões de tambor, um sistema de muito menor potência e que hoje em dia já só se encontram nos eixos traseiros de alguns carros. Já o SEAT Ibiza conta com os bem mais eficazes discos de travões e pneus mais largos, que oferecem maior área de contacto com o solo e, com isso, melhor aderência. A isto junta-se ainda o ABS, que evita o bloqueio das rodas e, em consequência, eventuais despistes.

Menos visível, mas igualmente importante, o chassis também sofreu enorme evolução ao longo dos últimos 60 anos, nomeadamente com a introdução de pontos de deformação predefinidos. Estas áreas de menor rigidez são estudadas e desenvolvidas de forma propositada para dissipar as forças geradas pelos embates e, com isso, aumentar a segurança, a possibilidade de sobrevivência e a redução de lesões graves em caso de acidente.

Agora o próximo passo, para o qual já há muitas outras marcas a trabalhar também, será dar “aos automóveis a capacidade de anteciparem os acontecimentos”, como refere Javier Luzón, responsável de Segurança Passiva na SEAT. Algo que nem sequer fazia parte dos mais ousados sonhos no tempo do lendário 600.

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