Rota das Beiras

27 julho 2017

Esta também se poderia chamar a rota do granito, dada a predominância que este mineral vai ter nos próximos 240 quilómetros que temos para lhe propor. O ponto de partida é o Vale do Côa, zona que há cerca de 20 anos quase nada tinha, mas que a partir de 1994 entrou para o mapa do mundo arqueológico com a descoberta do maior complexo de arte rupestre do paleolítico ao ar livre conhecido até hoje. O que mudou desde aí? Muita coisa. 

É claro que deve começar por visitar as figuras rupestres, mas agora também tem ao dispôr o bonito Museu do Côa, também já um ícone.

Mas a região não é "só" aquilo, pois bem perto fica a Quinta do Vale Meão, berço do vinho Barca Velha e uma das quintas mais simbólicas da "Ferreirinha", que ali apostou muito contra a opinião de todos. Apesar de não terem ainda um serviço de receção a visitantes, nada como tentar a sorte. Sem querermos desviá-lo demasiado da rota que traçámos, não se pode deixar de recomendar uma visita ao Castelo e vila muralhada de Numão, com paisagens de perder de vista.

E porque a palavra castelo (proximidade a Espanha oblige) vai ser, a par do granito, uma presença constante nesta sugestão, eis que surge aos olhos do viajante a aldeia histórica de Castelo Rodrigo que, claro, tem o castelo, mas também a Casa da Misericórdia, a Porta do Sol ou os torreões semicirculares para visitar.

Segue-se Almeida, outra aldeia histórica, e depois Sabugal. Aqui há, como é óbvio, um castelo, mas este tem direito a cantilena antiga: "Castelo de cinco quinas/Só há um em Portugal/Fica na beira do Côa/Na vila de Sabugal".

O Castelo de Sabugal fez a linha de defesa da região juntamente com o Castelo de Alfaiates, Castelo de Almeida, Castelo Bom, Castelo Melhor, Castelo Mendo, Castelo Rodrigo, Castelo de Pinhel e o Castelo de Vilar Maior, uma enumeração que por si só dava uma rota de férias à parte, com muita história entrecruzada com a Ordem dos Templários.

Perto de Sabugal fica a incontornável Reserva Natural da Serra da Malcata, com 16 mil hectares, que é o albergue natural da escassa população de linces ibéricos, um local que merece uma demorada visita. Depois desta pausa verdejante, regressa a dureza do granito em duas das mais pitorescas aldeias desta região, Sortelha e Monsanto, ambas históricas.

O sobe e desce das ruelas por entre casas cravadas na rocha, sempre com paisagens fabulosas a ladear o visitante, dão a estas aldeias um ar fantástico. Monsanto é a mais conhecida até porque em 1932 foi distinguida como a aldeia mais portuguesa de Portugal, o que lhe valeu um Galo de Prata na torre de Lucano, onde agora está uma réplica.

Sortelha e Monsanto têm motivos de interesse suficientes para ponderar ali uma dormida. Entre as duas, a vila de Penamacor, carregada de património e beleza arquitetónica. Esta rota termina em Idanha-a-Nova.

Distância: 240 km

Tempo de viagem: 5 a 6 dias

Estradas recomendadas: N222, N332, M607, N340, N324, N233, N233-3, N239

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