LUÍS CUNHA

CONCURSOS DE ELEGÂNCIA

LUÍS CUNHA
Secretário Geral do ACP Clássicos
23 setembro 2016

Ao falarmos de Concursos de Elegância Automóvel damos por nós a pensar como tudo mudou desde que em meados do século XVII os aristocratas parisienses se juntavam nos verdejantes parques da capital francesa para orgulhosamente exibir os seus carros de cavalos.

O orgulho pelos meios de locomoção chegou aos nossos dias e está mais ativo do que nunca. Na Europa, um dos concursos mais prestigiados realiza-se em Itália desde 1929 mais concretamente em Villa d´Este junto ao Lago de Como e é um acontecimento imperdível para todos os aficionados.

Na década de 50, foi nos Estados Unidos da América que os Concursos de Elegância Automóvel ganharam uma visibilidade mundial e se tornaram um fenómeno no meio dos clássicos. Mas, também nesta atividade as opiniões se dividem. Há aqueles entusiastas para quem os automóveis clássicos só fazem sentido se forem usados e vividos com intensidade faça chuva ou faça sol e, que não compreendem o prazer e a utilidade dos Concursos de Elegância.

Entre os adeptos dos concursos, muitos existem que investem anos de trabalho em busca da excelência e, o resultado final normalmente supera em muito o nível de acabamento que a própria fábrica conseguia oferecer nos seus automóveis.

O expoente máximo deste fundamentalismo deu-se nos anos 90 nos Concursos de Elegância americanos em que os exemplares mais exóticos chegavam e partiam da exposição sempre transportados em plataformas, não tendo a oportunidade de rolar pelos seus próprios meios. O exagero era tal que muitas vezes os suportes dos  amortecedores não eram apertados para não estalar a pintura da estrutura.

Nos dias de hoje, o bom senso tomou conta destes eventos e passou a fazer parte da pontuação final, testemunhar o automóvel em concurso a desfilar perante o júri e o público.

Passada a era dos exemplares ultra restaurados, a maior parte dos organizadores fomenta hoje a participação de automóveis bem preservados. A autenticidade e os sinais de uso passaram a ser desejáveis nos Concursos de Elegância.

Claro que isto deu origem a um novo nicho de mercado altamente especializado, o das empresas que envelhecem artificialmente os automóveis, mas isso é uma outra história.

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