SOBREVIVER É PRECISO

ANTÓNIO XAVIER
Diretor Executivo do Autoclube
30 março 2017

Implementar o nome de uma marca e fazer com que a sua reputação seja prolongada a diferentes segmentos do mercado, é uma das preocupações dos principais construtores, que cada vez mais necessitam de delinear táticas que cativem clientelas com diferenciados poder de compra. Acompanhar as tendências da moda é igualmente uma das suas grandes preocupações, necessitando por vezes de recorrer a protocolos de cooperação que consigam projetar novas apostas comerciais.

O fornecimento de motores ou caixas de velocidades, e também de alguns componentes mecânicos entre vários construtores, tem sido prática frequente ao longo dos tempos, estratégias que viabilizam economicamente novos projetos. Recentemente, a Toyota que já dispunha de blocos diesel de baixa cilindrada, como o 1.4 D-4D ou o mais potente 2.0 D-4D, optou por um motor intermédio de 1,6 litros, neste caso fornecido pela BMW, o que poderá ter sido vital para alguns do modelos da marca nipónica, que assim passam a oferecer um leque mais vasto de opções.

Uma das mais recentes associações que possibilitou excelentes resultados comerciais foi a parceria realizada entre a Mercedes-Benz e a Renault, com a marca francesa a fornecer à gigante alemã, motores diesel de baixa cilindrada, o que possibilitou um veloz crescimento comercial do classe A, que ao utilizar blocos franceses de 1,5 e 1,6 litros em vez do alemão de 2,2 litros baixou substancialmente o preço do mais pequeno carro da marca alemã, possibilitando assim a uma importante faixa do mercado poder ser proprietário de um Mercedes-Benz, isto para já não falar em modelos de segmentos superiores do mercado.

Para além desta estratégia, também a parceria entre a Daimler e a Renault, contribuiu para mais um sucesso do novo Smart que passa a utilizar motores franceses a gasolina de cilindrada abaixo de 1,0 litros, para além de inúmeros componentes ao nível da carroçaria. São exemplos deste tipo, que amplificam as possibilidades de sucesso comercial de diversas marcas e potenciam o êxito de alguns modelos, que continuam a fazer avançar novas apostas, até bastante mais amplas e ambiciosas, como o mais recente vínculo do Grupo PSA à Opel, que na prática já revelou dois modelos idênticos no que toca a mecânicas como o Opel Crossland X e o Peugeot 2008.

A médio prazo, e tendo em conta a mobilidade elétrica, é de esperar que surjam novos projetos e associações, que possibilitem à indústria automóvel soluções economicamente viáveis, que contribuam para um futuro mais risonho.

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