Carros mais leves para reduzir emissões

09 novembro 2017

A Comissão Europeia quer reduzir as emissões de CO2 dos automóveis de forma drástica, com cortes até 30% em 2030. A indústria automóvel considera  estas metas agressivas e avisa que os automóveis vão ficar mais caros. A Federação Internacional do Automóvel (FIA) aponta uma alternativa: reduzir o peso dos automóveis. 

Segundo a FIA, da qual o ACP é membro-fundador, reduzir o peso da frota de automóveis ligeiros de passageiros pode baixar as emissões em 40%. A ideia seria diminuir o atual peso médio de um automóvel em 380 kg, ficando a pesar 1000 kg. Este "emagrecimento" seria feito até 2050. 

A FIA defende também que tornar os carros mais leves oferece aos fabricantes de automóveis um método flexível para alcançar a redução de emissões, sem prejuízo da aplicação de outras medidas previstas para o combate à poluição.

"A UE deve continuar a desafiar os fabricantes de automóveis a cumprir ambiciosos objetivos de redução de CO2 para automóveis de passageiros, em benefício de todos os cidadãos europeus. Esses objetivos devem recorrer a todo o tipo de soluções tecnológicas que se traduzam em poupança de CO2, incluindo a redução de peso. Veículos mais leves precisam de menos energia e, portanto, produzem menos emissões de carbono", diz a FIA, em comunicado.

MAIS MIL EUROS POR CARRO EM 2030

A Comissão Europeia quer obrigar as marcas de automóveis a reduzir as emissões dos carros novos em 15% em 2025 e 30% até 2030, tudo isto tendo como valor referência as emissões registadas em 2021.

"A corrida mundial à produção de automóveis limpos já começou e é irreversível. Mas a Europa tem de pôr a sua casa em ordem para poder liderar esta mudança", afirma o comissário europeu para a Ação Climática e a Energia, Miguel Arias Cañete, citado pelo Negócios. Bruxelas admite que esta exigência legislativa vai obrigar os fabricantes a aumentar o preço final dos carros. Em 2030, prevê a proposta da Comissão, um carro irá custar mais mil euros. 

O setor automóvel reagiu considerando estas metas muito agressivas. O presidente executivo da BMW, Harald Krüger,  considerou a proposta como "muito ambiciosa e difícil de alcançar"

Até o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Sigmar Gabriel, enviou uma carta ao presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, lembrando que é "muito importante não sufocarmos o poder da inovação da indústria automóvel através de legislação comunitária muito restritiva". 

Na Europa o setor automóvel emprega 12,5 milhões de trabalhadores, sendo que 3,3 milhões de pessoas estão diretamente ligadas ao fabrico de automóveis. 

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