Elétricos entram em guerra de preços

03 outubro 2019

Economia de escala e concorrência entre marcas são dos principais argumentos para ver o preço de um produto baixar. E é isso que está a acontecer no setor dos carros elétricos: cada vez mais marcas apresentam modelos elétricos acessíveis, tornando-os populares. O fim de 2019 e o início de 2020 vão ser decisivos para esta nova fase comercial

Se até agora houve um predomínio de vendas do Renault Zoe, seguido por marcas consideradas Premium neste segmento, como a Tesla, agora a concorrência na gama dos elétricos mais baratos cresceu exponencialmente com o anúncio de vários novos modelos nos últimos meses. E não é à toa que a marca francesa já anunciou uma nova versão do Zoe para novembro. Atualmente, aquele modelo tem um custo aproximado de 34 mil euros, mas a nova versão, apesar da maior potência e autonomia, deverá baixar o preço em cerca de mil euros, precisamente para fazer face à concorrência. 

E que concorrência é essa? Comecemos por aquele poderá vir a ser o elétrico mais barato do mercado: o Opel e-Corsa. Com um preço anunciado de 29.990 euros, a proposta alemã pretende "tornar a mobilidade elétrica acessível a muita gente. Será, verdadeiramente, um carro elétrico para o povo", sublinhava em dezembro de 2018 o CEO da Opel, Michael Lohscheller.

Em regime de partilha mecânica e de plataforma com o Corsa-e, já que fazem parte do grupo PSA, o Peugeot e-208 fixa um preço mais próximo do rival da Renault, na ordem dos 31 mil euros. As duas novidades do grupo francês trazem um motor elétrico de 100 kW (136 CV) e 260 Nm de binário, com uma autonomia estimada de 339 quilómetros, em regime WLTP.

Já o novo Zoe oferece duas motorizações distintas: um motor de 80 kW (100 cv), que já é conhecido, e outro de 100 kW (135 cv). Este último terá um binário aumentado para 245 Nm e apresentará acelerações e recuperações substancialmente mais rápidas.  Já anunciado e também com preços revelados, está o VW ID.3, que não deverá baixar dos 30 mil euros e é o primeiro modelo da ofensiva elétrica daquele gigante alemão, que abre as hostes com três capacidades de bateria – 45, 58 e 77 kWh – variando  a autonomia WLTP entre os 330 e os 550 km. Ainda não foi revelado qual o preço para as versões com maior capacidade de bateria.

Outro dos grandes "players" do mercado, o Nissan Leaf, já preparou terreno no início de 2019 ao apresentar o Leaf e+, com 62 kW e uma potência equivalente a 217 cv, mas o preço fica a milhas desta nova realidade: 45 mil euros, embora anuncie 458 km de autonomia. Se optar pelo Nissan Leaf 3.ZERO, que traz a já conhecida bateria de 40 kW e a nova geração do sistema NissanConnect EV com ecrã de oito polegadas, o preço fica-se pelos 39 mil euros. 

Num patamar abaixo, mas não menos apetecível, o segmento de citadinos também faz mossa no mercado de elétricos, com a oferta em crescendo e o preço a diminuir. Veja-se o caso do VW e-up!, o Seat Mii eletric e o Skoda Citigoe iV, que mais não são do que três versões do mesmo carro, já que partilham tudo, menos símbolos e grelhas, ficando muito próximos em termos de preços: 20 mil euros, mais coisa menos coisa. 

Mas uma coisa é garantida: esta guerra de preços vai continuar e cada vez mais agressiva. Veja-se o anúncio recente do novo CEO da Renault, Thierry Bollore, que prometeu elétricos a 10 mil euros já em 2024.  

Mais novidades com o Salão de Tóquio

Com o arranque do Salão de Tóquio, a partir do dia 23 de outubro começam a surgir mais novidades elétricas com assinatura da terra do sol nascente. As duas principais novidades, pelo menos as mais aguardadas, são o primeiro Mazda elétrico, do qual não se conhecem grandes pormenores tirando o facto de deve usar a mesma plataforma do CX-5, e também uma outra estreia no segmento eletrificado, desta vez por parte da Lexus, que até agora não tinha ido mais longe do que a tecnologia "plug-in hybrid" e que assim vai continuar pois este modelo, que se prevê ser citadino, não passa de um concept, um teste ao futuro. 

Fisco corta dedução de IVA na eletricidade para carros

O IVA pago na aquisição de eletricidade para carregar carros elétricos, enquanto despesa de utilização desses veículos, está excluído do direito à dedução, esclareceu o Ministério das Finanças numa informação publicada no início de outubro no respetivo site.

O Fisco explica que, apesar de ser apenas dedutível o IVA suportado em aquisições de bens e serviços adquiridos ou utilizados para a realização de operações sujeitas ao imposto, ou seja operações tributáveis, há uma exceção no que respeita ao imposto contido nas aquisições de determinados bens ou serviços cujas características os tornam, segundo o fisco, não essenciais à atividade produtiva, ou facilmente desviáveis para consumos particulares, como é o caso do imposto contido nas despesas relativas à aquisição, utilização, transformação e reparação das viaturas. Isto quer dizer que também a eletricidade se junta aos combustíveis fósseis no grupo de despesas que não se pode deduzir, aumentando assim a receita

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