O seu carro já tem botão SOS?

12 abril 2018

Esteve previsto para outubro de 2015, foi adiado para outubro de 2017, mas só agora em março de 2018 é que passou a ser obrigatório em todas as viaturas. Falamos do eCall (emergency call), um sistema automático de deteção de acidente e envio de informação para as autoridades competentes, que visa a redução do tempo de resposta do socorro médico e também uma melhor gestão do tráfego.

Isto quer dizer que desde 31 de março que todos os veículos ligeiros têm de estar equipados com o eCall à saída da fábrica. Mas a verdade é que já vários modelos, sobretudo das gamas mais elevadas, há muito que trazem esta tecnologia incluída. O sistema está operacional em Portugal desde outubro de 2017 e custou 1,5 milhões de euros.

Como é que funciona o eCall?

A descrição é simples: todos os carros passam a dispor de sensores que detetam embates cujo impacto vai decidir a ativação do eCall, via satélite Galileu. Essa chamada, feita automaticamente, mas com a possiblidade de poder ser também ativada manualmente pelo condutor ou pelo passageiro através de um botão, envia um conjunto básico de informações para um dos quatro pontos de atendimento instalados em Portugal (Norte, Sul, Açores e Madeira). Estas informações apenas indicam a hora do acidente, a geolocalização, o tipo de veículo e o número de passageiros.

O centro de atendimento do eCall visualiza o acidente num mapa e um operador vai tentar estabelecer contacto com a viatura de forma recolher mais informação, para melhor definir os meios de socorro a enviar. Feita esta primeira triagem, os serviços de emergência e socorro dirigem-se para o local.

A base deste sistema é o modelo do número 112, ou seja, funcionará automatica e gratuitamente em todos os países da União Europeia, embora para já só esteja em total funcionamento nos Países Baixos, Eslovénia, Suécia, Finlândia e Portugal.

Quais as vantagens?

A da rapidez de resposta a um acidente parece óbvia. Recorde-se que vários especialistas falam do conceito da "Hora de Ouro", por ser nos primeiros 60 minutos após o acidente que se concentram as maiores probabilidades de salvar vidas.

Estudos indicam que a redução da mortalidade nos sinistros rodoviários poderá ser na ordem das 2500 vidas por ano em toda a Europa. A União Europeia estima que este sistema reduza o tempo de resposta em 40% nas áreas urbanas e em 50% nas áreas rurais, baixando a mortalidade rodoviária em quase 10%. Em 2016 morreram 25.500 pessoas nas estradas europeias. Outra das vantagens é a eliminação das barreiras linguísticas, ao enviar um primeiro conjunto de informações sobre o acidente.

E quanto à questão da privacidade?

Segundo a Secretaria Geral da Administração Interna, que liderou as equipas multidisciplinares de implementação tecnológica do processo, "o direito à privacidade e à proteção de dados pessoais será sempre salvaguardado. Os veículos não serão objeto de localização permanente e o cartão SIM utilizado para transmitir os dados eCall, encontra-se num estado de “dormência”, sendo apenas ativado no caso de o veículo se envolver num acidente com alguma gravidade (i.e. quando alguns sensores forem ativados). Os dados não serão comunicados a terceiros sem o consentimento prévio do proprietário do veículo".

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