Portugal investe nos carros autónomos

24 maio 2018

Parece cenário de filme, mas já está muito próximo da realidade: em breve Portugal vai ter veículos autónomos a circular nas suas ruas e estradas. Um bom exemplo será o Viriato, o primeiro transporte público autónomo e elétrico que em breve vai funcionar em Viseu.

Carrega em cinco minutos, tem autonomia para 100 quilómetros e está equipado com o nível cinco de automação (o mais elevado - ver caixa) dispensando, por isso, o condutor. Também não tem pedais e volante. Mas não se assuste, pois o Viriato vai circular numa via segregada, ou seja, não vai andar misturado com o restante trânsito.

ALTERAR CÓDIGO DA ESTRADA

Para o fazer, o Viriato e outros veículos autónomos vão ter de esperar por uma alteração ao Código da Estrada, que até já está a ser estudada pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) e pela Autoridade Nacional da Segurança Rodoviária (ANSR).

Segundo o IMT, está a ser feita uma "análise preliminar das transformações introduzidas pela condução assistida e autónoma, conectada e elétrica". Em causa está o artigo 11º, que especifica a obrigatoriedade de todos os veículos terem um condutor.

Estes avanços legislativos estão a ser feitos em diálogo com as congéneres europeias do IMT e da ANSR, no âmbito do projeto C-Roads, um projeto de veículos de condução autónoma em estrada que deve ser concretizado no início de 2019.

Em abril, também integrado no C-Roads, foi assinado em Bruxelas um protocolo entre Portugal e Espanha, no âmbito de veículos autónomos. Segundo o secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme d’Oliveira Martins, "vamos fazer o primeiro teste transfronteiriço entre dois corredores: Porto e Vigo, e Évora e Mérida”. Com este protocolo, o governante quer colocar Portugal entre os países europeus da fase piloto do C-Roads.

Portugal e Espanha são os primeiros países a avançarem com estes corredores transfronteiriços, o que coloca a Península Ibérica na dianteira dos carros autónomos.

Com um horizonte de execução de quatro anos, o projeto tem um investimento total de 8,3 milhões de euros e conta com uma comparticipação de 50% do programa europeu C-Roads.

Guilherme d’Oliveira Martins adiantou que o projeto envolve dezenas de parceiros e visa “tornar as estradas portuguesas mais seguras para os cidadãos, tornar a mobilidade mais eficiente e reduzir as emissões de transportes rodoviários sem deixar de atender à interoperabilidade entre os vários países”. O desafio que se coloca, adiantou, é adaptar as infraestruturas a este novo tipo de comunicação e veículos.

A diretora do departamento de segurança rodoferroviária da Infraestruturas de Portugal (IP), Ana Tomaz, considera que os veículos conectados, autónomos e elétricos resolvem os “três grandes problemas” que ainda persistem na mobilidade e no sistema rodoviário: a poluição, a congestão e a segurança.

Mas, segundo Ana Tomaz, "para conseguirmos captar o máximo desses benefícios, a infraestrutura tem de ser adaptada para estes veículos circularem”. Na linha deste esforço está já previsto um conjunto de testes-piloto que vão abranger praticamente 1.000 quilómetros de estradas portuguesas. Vão ainda ser colocados mais de 200 equipamentos nas estradas e “mais de 150 veículos com ‘on board unit’ para pilotar essa comunicação e garantir que esses veículos podem circular no futuro e que se consegue captar esses benefícios”, revelou Ana Tomaz.

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