Audi Q8 50TDI: Um imenso SUV ainda Diesel

Rui Reis (texto) Paulo Maria/Interslide (fotos)
18 outubro 2018

O Q8 é o novo SUV da Audi, recorrendo à mesma plataforma dos modelos mais desportivos do Grupo Volkswagen, que também abriga o Porsche Cayenne e o Lamborghini Urus, mas que neste produto Audi ainda mantém os propulsores Diesel. Teste à versão 50TDI com 286cv cujo o preço arranca nos 110 000 euros, mas que facilmente chega aos 145 335 na unidade testada pela revista semanal AutoMAG já em banca.

Segundo a Audi, o Q8 pretende combinar a versatilidade e conforto de um SUV com a elegância de um coupé de quatro portas. Para vincar esse posicionamento, o Q8 é mais baixo (36 mm) e curto (66 mm) do que o Q7 e também mais largo (27 mm), abdicando das molduras das janelas, detalhe herdado dos coupés. E o que mais impressiona é a imponência das linhas e a elevada altura ao solo (204 mm na versão de suspensão pneumática e 220 mm com o amortecimento pilotado). O interior mantém a grandiosidade, tanto na oferta de espaço como no requinte dos materiais ou na sofisticação das soluções. A habitabilidade é imensa, tanto em largura como em comprimento para as pernas. A possibilidade de regular longitudinalmente os bancos traseiros, uma caraterística herdada do Q7, permite jogar com o espaço atrás ou para bagagem.

A configuração mecânica é relativamente simples, com o conhecido 3.0 TDI de 286 cv e a caixa ZF de oito velocidades encarregue da locomoção e um diferencial central mecânico (Torsen) obrigado a repartir a tração entre as rodas dianteiras (40%) e traseiras (60%). A direção variável é direta a baixa velocidade (2,2 voltas de topo a topo). A opcional suspensão pneumática permite variar manualmente a altura ao solo ou fá-lo de forma automática e obedecendo a parâmetros como a velocidade ou o modo de condução escolhido. O eixo traseiro autodireccional é outra opção a ter em conta, melhorando a agilidade em ambiente urbano e o comportamento em zonas sinuosas.

Segundo a Audi, o sistema de 48V que alimenta o Q8, com um alternador/gerador e uma bateria de iões de lítio, garante ainda uma redução efetiva de 0,7 l/100 km nos consumos. A verdade é que os consumos não são exagerados, como o provam os 8,6 l/100 km que obtivemos de média ponderada.

Onde é impossível disfarçar o excesso de peso é na utilização, já que o possante 3.0 TDI com 286 cv e 600 Nm de binário é obrigado a trabalhos forçados para manter o ritmo a que o Q8 convida. O navio-almirante da Audi nunca parece lento (acelera de 0 a 100 km/h em apenas 6,3 segundos), mas é evidente que o chassis digere com facilidade outros níveis de potência.

O que parece imune ao peso e às dimensões é o comportamento em estrada. Fora de estrada, as capacidades trialeiras do Q8 surpreendem. A suspensão pode chegar aos 254 mm de altura ao solo e os limites passam a ser mais a “coragem” do utilizador e a tração (ou falta dela) dos pneus estradistas do que por qualquer “falha” do Q8.

Este ensaio inicia uma parceria com a revista semanal AutoMAG.

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