Mercedes-Benz C200 Limousine

29 novembro 2018

O novo C200 tem um propulsor 1.5 com turbo e motor elétrico com circuito de 48 V para um total de 184 cavalos de potência, velocidade máxima declarada de 240 km/h e aceleração dos 0 aos 100 km/h que demora perto de 8 segundos, este C200 está longe de desiludir em termos de performance, seja nos arranques dos semáforos, seja na pontual visita a uma "autobahn" sem limite de velocidade.

É precisamente aqui, em ambiente de autoestrada, que o C se sente mais à vontade graças ao contributo da caixa de velocidades automática 9G-Tronic, em particular da sua nona e longa relação de transmissão, bem como pela impertubável estabilidade a alta velocidade e excelente insonorização do habitáculo, também ajudada pela aerodinâmica apurada da elegante carroçaria da última geração do Classe C, designada internamente por W205. A título de exemplo deste referido conforto de rolamento, o C200 consegue circular a 120 km/h com o ponteiro do conta-rotações abaixo da marca das 2000 rpm, silêncio que permite que a bordo seja possível manter uma conversa com os restantes passageiros sem ser preciso aumentar o volume da voz.

Mas este C200 faz ainda melhor. Ao dispor de um alternador com dupla função - capaz de fornecer energia, atuando como motor elétrico - e de um circuito elétrico auxiliar de 48 V e respetiva bateria adicional, o motor 1.5 dá-se ao luxo de simplesmente se desligar quando deixa de ser exercida pressão sobre o pedal do acelerador. O processo de desligar e arrancar é praticamente imperceptível. Desta forma, o C consegue deslizar livremente sem qualquer consumo de gasolina, ficando a alimentação dos componentes e restantes periféricos a cargo da bateria. A energia é regenerada pelo alternador durante as desacelerações e, mais ainda, durante as travagens, aproveitamento que pode ser acompanhado no painel de instrumentos mas que dá ao pedal de travão pouca capacidade de passar informação ao pé direito, algo comum a praticamente todos os sistemas de travagem regenerativa.

Durante as acelerações, o empurrão extra providenciado pelo motor elétrico pode traduzir-se num ganho de cerca de 14 cavalos (a propulsão nunca é puramente elétrica) e selecionando o modo de condução mais desportivo, a resposta do motor fica mais imediata e a boa disponibilidade a baixa rotação prolonga-se de forma muito linear até aos regimes mais elevados, altura em que, naturalmente, o motor começa revelar o seu lado menos refinado e mais ruidoso.

Assim, a eficácia e suavidade deste casamento entre a gasolina e a energia dos irrequietos eletrões surgem durante uma utilização mais relaxada da berlina alemã. É nas longas viagens, com percursos de estrada nacional e autoestrada, que melhor se usufrui da experiência. Já em ambiente citadino, o conforto de utilização prestado pela transmissão automática é também uma mais-valia, mas o consumo de combustível em ambiente de cidade está longe de agradar, sendo difícil ver o computador de bordo registar menos de 9 litros por cada 100 quilómetros percorridos.

Robustez

Apesar de ser uma proposta claramente mais pensada para ser confortável do que para se destacar pelo seu dinamismo, o C200 aborda as viragens mais exigentes com subtileza, com pouco adornar de carroçaria e principalmente com muita tração à saídas das curvas mais apertadas, mesmo quando o piso está húmido.

Os grandes níveis de aderência lateral e a ótima capacidade de passar a potência ao asfalto, mesmo sob forte aceleração, são da responsabilidade dos pneus Pirelli P Zero de medida 225/40 à frente e 255/35 no eixo posterior, montados nas jantes de 19”, uma solução talvez até um pouco sobredimensionada para os números (embora mais do que suficientes...) oferecidos pelo integralmente novo motor 1.5 Turbo. O eixo dianteiro responde com acutilância aos "inputs" dados no volante mas em piso molhado os Pirelli mostraram-se pouco progressivos no limite da aderência, surgindo os primeiros sinais de subviragem sem qualquer aviso prévio. O conforto, infelizmente, acaba por ser ligeiramente prejudicado quando as irregularidades do asfalto se tornam mais evidentes porque embora a suspensão seja competente a lidar com o piso degradado, os pneus não conseguem esconder o seu reduzido perfil passando ao habitáculo alguma da sua incapacidade de absorção das imperfeições do piso.

No entanto, a bordo, a experiência é puramente Mercedes, pois a sensação de solidez global é uma constante. Ainda no habitáculo e relativamente ao espaço para os passageiros de trás, o espaço é claramente mais indicado para dois do que para três, uma vez que o túnel de transmissão ocupa muito do espaço que devia estar destinado às pernas do quinto passageiro e o conforto nos lugares laterais podia também ser melhor, pois o banco não possui comprimento suficiente para suportar as pernas. Felizmente, na frente, os bancos oferecem outro envolvimento e incluem também função de aquecimento. A posição de condução é excelente e a instrumentação totalmente digital e personalizável faz do banco do condutor um lugar especial.

Quando menos é mais

O C200 até pode dispor do motor mais pequeno do seu quarto de século de história mas, ao volante, a verdade é que não se nota. Para uma utilização dita normal, a performance está mais do que à altura e a experiência de conduzir um Mercedes-Benz em nada sai prejudicada por se tratar apenas de um motor 1.5 l. No entanto, e apesar da agradabilidade de utilização e da eficiência do sistema a mais alta velocidade, em circuito citadino a média pula para lá dos valores aceitáveis, gastando cerca de 3 litros a mais do que uma motorização Diesel equivalente.

Este ensaio faz parte da parceria com a revista semanal AutoMAG.

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