Estradas portuguesas estão mais perigosas

13 julho 2017

O número de acidentes e de pontos negros nas estradas portuguesas aumentou entre 2015 e 2016, segundo o relatório anual da Autoridade Nacional para a Segurança Rodoviária, agora divulgado.

Segundo a contabilidade oficial, em 2015 havia 28 pontos negros ao passo que em 2016 esse número subiu para 36. Das várias estradas com pontos negros, o IC17 (Circular Regional Interior de Lisboa) é a pior ao apresentar na sua extensão cinco pontos negros. Segue-se a A2 (Lisboa - Algarve), que tem quatro pontos negros. Em terceiro lugar, com os mesmos três pontos negros, estão a A20 (Circular Regional Interior do Porto) e a EN6, mais conhecida por Estrada Marginal que liga Lisboa a Cascais. É considerado um ponto negro todos os troços de 200 metros de extensão, no qual se registou, pelo menos, cinco acidentes com vítimas, no ano em análise. 

Este aumento do número de pontos negros é superior ao aumento do total de acidentes. Se em 2015 houve 31.953 acidentes com vítimas, no ano seguinte o número subiu 32.299, ou seja, mais 1,1%. Olhando para os resultados das sinistralidade do primeiro semestre de 2017, comparados com 2016, e constata-se que houve o maior aumento do número de mortos nas estradas dos últimos 20 anos.  

Para o presidente do Automóvel Club de Portugal, Carlos Barbosa, "o número de acidentes e de mortes que tem vindo a subir está relacionado com a falta de campanhas de sensibilização para o tema da segurança rodoviária. Como é sabido, 4% do que pagamos de apólice de seguro vai para o Fundo de Garantia Automóvel e metade do valor que esse fundo angaria deveria ser destinado a campanhas de segurança rodoviária e tal não acontece. São valores antes usados para comprar automóveis para a PSP e para a GNR, ou mesmo resolver outras necessidades que essas forças têm. É uma pena não se apostar mais nas campanhas pois, de cada vez que há uma campanha de segurança rodoviária regular e durante um ano inteiro, a sinistralidade baixa. Isto quer dizer que a diminuição da sinistralidade que se tem registado nos últimos 10 anos deve-se não só à melhoria das estradas e dos automóveis, mas sobretudo às campanhas de sensibilização, que eram permamentes, e deixaram de existir". 

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