Mazda celebra meio século do motor rotativo

30 maio 2017

Um coupé esguio e elegante de dois lugares guardava debaixo do capot um motor de duplo rotor. O Cosmo Sport Coupé foi produzido entre 1967 e 1994 e deu origem a diversos modelos desportivos, alguns deles dedicados especificamente à competição. Colocar de parte os grandes blocos de oito ou seis cilindros e partir para um motor a combustão sem qualquer cilindro, foi a revolução da Mazda ao conceber o motor rotativo com dois rotores de 398 cm3.

Viajemos até 1967, ano em que o Cosmo Sport surgiu como o primeiro automóvel movido por um motor de duplo rotor. Conhecido fora do Japão como 110S, foi também o primeiro modelo desportivo da Mazda, fornecendo o ADN que se encontra presente em modelos lendários como o Mazda RX-7, o Mazda MX-5 e, bem na verdade, em todos os modelos que a marca japonesa hoje fabrica.

Embora apenas tenham sido construídas 1.176 unidades, o Cosmo Sport mostrou ser monumental para a Mazda, marcando a sua transformação de um construtor que, predominantemente, fazia veículos pesados e veículos de pequenas dimensões, numa Marca emocionante e única, caracterizada pela sua abordagem de constante desafio às convenções ao nível da engenharia ou do design.

Os engenheiros da Mazda ultrapassaram inúmeras barreiras para tornar o motor rotativo comercialmente viável, testando protótipos do Cosmo Sport ao longo de centenas de milhares de quilómetros antes do seu lançamento do mercado. Apesar de muitas empresas, incluindo a maioria dos grandes fabricantes automóveis, terem assinado acordos de licenciamento com a NSU para desenvolver a nova tecnologia do fabricante de automóveis e motos, apenas uma foi bem-sucedida, a Mazda.

Tendo aproveitado o potencial do motor rotativo para alcançar os níveis de performance equivalentes a blocos muito maiores e mais pesados, a Mazda viria a construir perto de 2 milhões de veículos com esta tecnologia, ao mesmo tempo que também alcançava um considerável sucesso na competição.

O seu RX-7, por exemplo, dominou a sua classe no Campeonato IMSA (International Motor Sport Association) ao longo da década de oitenta, mas o triunfo mais significativo da Mazda em circuitos foi alcançado em 1991, quando um Mazda 787B, alimentado por um bloco de quatro rotores e 2,6 litros de cilindrada, produzindo 710 cv, ganhou as 24 Horas de Le Mans. Foi uma vitória ímpar desta mecânica inigualável e também a primeira vitória de um construtor asiático na histórica corrida de resistência francesa. O espírito de desafio que serviu de base ao motor rotativo, continua bem vivo na Mazda, tal como demonstra a tecnologia Skyactiv patente em todos os seus modelos.

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