Obras mal feitas provocam caos ambiental em Lisboa

26 outubro 2017

Vêm aí mais medidas restritivas à circulação automóvel na cidade de Lisboa. Esta é pelo menos a intenção anunciada pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR LVT), que apresentou uma proposta de plano para combater a poluição no centro da cidade.

Isto apesar de admitir que o plano anterior, assente na restrição aos carros com mais de 21 anos de idade (e 17 anos na Avenida da Liberdade), falhou redondamente, por falta de fiscalização da Câmara de Lisboa.

São impostas mais restrições apesar de o plano anterior ter falhado redondamente por falta de fiscalização da Câmara.

Ainda assim, a CCDR quer restringir a circulação na Avenida da Liberdade a carros com a norma de emissões Euro IV, ou seja, carros fabricados a partir de janeiro de 2005, atualmente com 12 anos.

A proposta ainda terá de ser aprovada pelo Governo, que a pode entretanto alterar. Recorde-se que recentemente o Secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, revelou publicamente que há a “possibilidade de inibir os veículos de irem para determinadas zonas da cidade, inibir mesmo a sua entrada, reduzir o número de veículos através das matrículas”.

O Secretário de Estado do Ambiente já veio colocar a hipótese de "inibir a entrada de veículos na cidade".

O problema é atualmente grave. As obras realizadas pela Câmara de Lisboa na Av. da Liberdade estão a provocar o caos ambiental, tal como era facilmente previsível e como o Automóvel Club de Portugal alertou.

Com mais congestionamento de trânsito, associado às atuais condições meteorológicas, a poluição na principal avenida lisboeta já ultrapassou 23 vezes o valor limite diário de dióxido de azoto (NO2) só no mês de Outubro – o máximo permitido pela Comissão Europeia é exceder esse valor 18 vezes num anoContactada pelo Autoclube, a Câmara de Lisboa não teceu comentários. 

O valor limite diário de dióxido de azoto foi ultrapassado na Avenida da Liberdade 23 vezes só em outubro.

À falta de fiscalização junta-se a falta de incentivos fiscais ao abate de veículos em fim de vida, sobretudo quando o parque automóvel nacional é bastante velho. Segundo a equipa da CCDR LVT que analisou os resultados do anterior plano, um dos poucos contributos efetivos para combater a poluição na cidade de Lisboa era precisamente o incentivo ao abate.

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