Três anos depois Ogier perdeu a liderança

02 agosto 2017

Desde o ano em que conquistou o primeiro Campeonato do Mundo de Ralis, em 2013, Sébastien Ogier tem sido o líder constante da classificação geral, mas houve três vezes ao longo deste período de mais de quatro anos em que se viu arredado do primeiro posto da tabela de pontos.

A primeira vez foi precisamente na estreia com a Volkswagen e com o Polo R WRC, no Rally de Monte Carlo. O francês já era apontado por muitos como o natural sucessor do compatriota e homónimo Sébastien Loeb, que já tinha anunciado a saída do Mundial, mas alinharia ainda em quatro jornadas nessa temporada de 2013. No confronto direto Ogier acabou por não encontrar os argumentos necessários para se impor e teve de se contentar com a segunda posição a 1:39,9 da frente.

O então piloto da Volkswagen começava a época da conquista do primeiro título em segundo, mas depressa respondeu. Na ronda seguinte, na Suécia, e uma vez mais com a presença de Loeb, Ogier mostrou todo o seu potencial e não deu qualquer hipótese ao rival. No final, à vitória juntou ainda o triunfo no Power Stage, o bastante para reclamar a liderança do Campeonato do Mundo de Ralis pela primeira vez.

Só passado um ano, e já como Campeão do Mundo, é que Ogier voltou a ver-se arredado da primeira posição da classificação, precisamente na Suécia. Os problemas sentidos na oitava especial e os 4,30s perdidos para a frente foram determinantes para o sexto posto final. Na altura a liderança passou para as mãos do colega de equipa Jari-Matti Latvala, que ficou com cinco pontos de margem.

Mas, e mais uma vez, foi sol de pouca dura. No regresso à competição, no México, Ogier respondeu com nova vitória, a 11ª desde a estreia com a Volkswagen e a segunda desse ano. Latvala ficou-se pelo segundo posto, o bastante para o francês deixar a América Central com três pontos de vantagem no Campeonato.

Seguiu-se um período impressionante por parte do francês. Ogier somou mais 22 vitórias e garantiu mais três títulos Mundais, sempre na liderança do Campeonato. Foram três anos e cinco meses sempre na frente do WRC.

Uma sequência que acabou de ser interrompida na passada jornada do Campeonato, o Rally da Finlândia. Ogier chegou ao “rali mais rápido do mundo” com 11 pontos de vantagem sobre Thierry Neuville e todos esperavam uma prova emocionante. É certo que o favoritismo, como sempre, estava do lado dos homens da casa, mas os olhares estavam todos postos na luta pelo Campeonato.

Ogier, num momento raro da sua carreira, sofreu um acidente, o terceiro desde 2013 e o primeiro desde o Rally de Espanha de 2015, e o seu navegador Julien Ingrassia viu depois o médico da prova travar-lhe o regresso à ação em Rally 2.

Neuville tinha a porta aberta para atacar o primeiro posto do Campeonato, mas mostrou-se tímido e ficou-se pelo sexto lugar. Ainda assim, e como soma três vitórias este ano contra duas de Ogier, conseguiu assumir a primeira posição da classificação geral em igualdade de pontos com o gaulês.

Agora é esperar para ver. Segue-se a segunda prova de asfalto do ano, o Rally da Alemanha dentro de duas semanas. Olhando ao que já se passou este ano, o belga da Hyundai leva vantagem, não tivesse ele vencido a Volta à Córsega, precisamente a primeira prova de asfalto do ano. Mas olhando para o histórico do rali, a vantagem é de Ogier, que venceu a ronda germânica nas duas últimas épocas, enquanto Neuville conta apenas com um triunfo. Mas o mais importante aqui é a regularidade. Ogier, que até tem baixado o total de vitórias por época (9 em 2013, 8 em 2014 e 2015, 6 em 2016 e este ano é já certo que também não irá além das seis), é muito consistente, algo que já não se pode dizer de Neuville. O francês totaliza 62 pódios desde 2013, enquanto o belga se fica por uns bem mais modestos 25!

Seja como for, o Campeonato está mais competitivo que nunca e uma certeza podemos ter... as emoções até novembro serão mais que muitas e a corrida ao título voltou à estaca zero!

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