O meu carro cresceu ou o lugar encolheu?

14 dezembro 2016

Há 40 anos, um dos modelos automóveis mais populares em Portugal media 1,61 metros de largura. Hoje, o mesmo modelo mede um pouco mais do que dois metros. O problema é que os lugares de estacionamento parecem ter parado no tempo.

Estacionar num parque exige a maior parte das vezes um conjunto de perícias e malabarismos, sobretudo no momento de tentar sair do carro. Este problema agravou-se com o passar dos anos: a largura dos automóveis aumentou e a dos lugares de estacionamento não.

Veja-se o caso do Volkswagen Golf, um dos modelos mais vendidos em Portugal. Se em 1974 um VW Golf tinha uma largura de 1,61 metros (espelhos retrovisores incluídos), agora o mesmo modelo tem uma largura superior a dois metros. Dois metros é a largura média dos dez carros mais vendidos no ano passado. O problema é que, se os carros novos estão cada vez mais largos e confortáveis, os parques de estacionamento parecem cada vez mais estreitos e desconfortáveis.

Numa ronda aleatória por três parques de estacionamento de Lisboa, mais três analisados no Porto, as medidas verificadas comprovam a escassez de espaço.

Se o seu carro mede dois metros de largura e se o lugar de estacionamento cumprir o regulamento camarário (o mais comum é 2,3 metros de largura), então só sobram 15 centímetros para cada ocupante poder sair da viatura. Isto sem falar nas inúmeras e involuntárias marcas que os carros vão deixando nas portas uns dos outros, assim como nas paredes dos parques de estacionamento.

EuroTest recomenda 2,5 m de largura, mas a maioria tem 2,3 

Um estudo internacional analisou 60 parques de estacionamento de cidades europeias, mas a maioria dos lugares tem 2,3 m de largura, exíguos para os dias de hoje. O EuroTest recomenda um mínimo de 2,5 m de largura.

No caso português são as autarquias que definem as medidas dos lugares de estacionamento em “espinha”, ou seja, não estranhe se num concelho o lugar de estacionamento for mais apertado que noutros.

Na capital está definida uma largura mínima de 2,4 m para parques públicos com grande rotatividade (2,3 m no caso de residências e escritórios). No centro comercial visitado pelo ACP, verificou-se uma largura entre os 2,1 e os 2,2 m. Já no caso de um parque junto ao Bairro Alto, a largura é de apenas 2,05 m. Num outro parque, perto da Av. Fontes Pereira de melo, a largura dos lugares é de 2,1 m.

O regulamento camarário no Porto pede 2,3 m de largura, mas num centro comercial junto ao Mercado do Bolhão, perto da baixa, os lugares ocupam 2,4 m de largura. Já nas imediações do Jardim da Cordoaria, uma zona atualmente muito concorrida, os lugares do parque mediam 2,3 m de largura. A mesma medida verificou-se num parque de estacionamento perto da Casa do Infante, na Ribeira.

Diz-me como estacionas dir-te-ei que és

Há todo um perfil social que se pode adivinhar pela forma como um automobilista estaciona a sua viatura num parque de um centro comercial praticamente vazio. Estacionou ao lado de uma coluna quando o poderia ter feito noutro lado qualquer? Aparcou a viatura entre duas outras, mesmo que tivesse muitos lugares disponíveis que não obrigavam a qualquer manobra? Saiba qual é o seu perfil de aparcamento.

O perfecionista. Se estaciona o carro com a mesma distância em cada lado, então você é um perfecionista, que adora a ordem e gosta de seguir as regras estabelecidas.

O egocêntrico. Se não se importa nada com o espaço que ocupa e chega mesmo a prejudicar os outros condutores, é seguramente alguém com fortes tiques egocêntricos.

O discreto. Mesmo com lugares livres perto do acesso ao centro comercial, prefere estacionar um pouco mais longe para não dar nas vistas.

O exibicionista. Se deixa o carro no meio da via de passagem, o seu perfil será o de alguém que adora chamar a atenção dos outros, nem que seja incomodando-os.

O comodista. Mesmo com muitos lugares disponíveis, estaciona juntinho aos outros. Gosta de estar entre iguais, retirando daí uma sensação de comodidade e proteção.

O solitário. Se estaciona longe do acesso ao centro comercial então é daquele tipo de pessoa muito ciosa da sua solidão.

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