PSA com ambição de gigante

01 março 2017

A Carlos Tavares, presidente da PSA, é lhe reconhecida uma gestão rigorosa daquele grupo francês, por ter introduzido uma contabilização de cada euro gasto no lançamento de novos modelos e no aperfeiçoamento de tecnologias de ponta. Mas, mesmo assim, dentro dos planos estratégicos da PSA (grupo que engloba a Peugeot, a Citroën e a DS) ainda falta aplicar mais investimento no setor dos veículos elétricos e híbridos, um segmento em que a marca francesa quer alargar a sua presença.

Os resultados desta gestão mostram que a PSA tem sabido aproveitar os ventos de mudança que se fazem sentir no mercado automóvel, conseguindo resultados positivos em 2016, aumentando  os lucros operacionais na ordem dos 6%. Note-se que é a primeira vez que o grupo sai da zona vermelha em termos de resultados nos últimos quatro anos.

Agora que a casa está mais arrumada, Carlos Tavares quer aproveitar a boa saúde financeira do grupo e tenta lançar a garra sobre a Opel, que atualmente pertence ao grupo americano General Motors (GM). Esta será a oportunidade de que Tavares precisa para seguir em frente e fazer ressurgir a indústria automóvel francesa, ao mesmo tempo que cria o segundo maior gigante da Europa no setor.

Apesar da fasquia ser demasiado elevada, as negociações levadas a cabo por Carlos Tavares têm-se revelado animadoras, embora os compromissos que estão a ser apresentados por Berlim, Londres e Paris para que o negócio se concretize. Em causa estão pontos como a manutenção de postos de trabalho na Opel/Vauxall, sendo que estas, juntas, empregam cerca de 36 mil pessoas e contam com mais de uma dezena de unidades fabris distribuídas pela Europa. Outro dos pontos chave em discussão é saber qual vai ser a margem de manobra que a PSA terá no futuro para garantir uma restruturação da Opel.

Mas Carlos Tavares tranquiliza os mais céticos fazendo valer a sua experiência no grupo. Aos críticos, o gestor português recorda os resultados recentes conquistados pela PSA, que denotam recuperação, ao passo que “a Opel que está no red line há 16 anos, queimando um milhar de euros por ano”, explicou.

Segundo o presidente do construtor francês, as sinergias obtidas com esta fusão dariam à Opel “o mesmo desenvolvimento espetacular conseguido pela PSA, que é hoje uma marca saudável, com dinheiro em caixa e em pleno crescimento”. Tavares garante ainda, tentando sossegar Berlim, de que a identidade da Opel manter-se-á, "pois a sua recuperação será gerida por equipas do construtor alemão, numa lógica de colaboração entre as duas marcas”.

Se a operação de compra da Opel se concretizar, a PSA espera poupar entre 1,5 a 2 mil milhões de euros anuais com as sinergias, ao mesmo tempo que pretende atingir um respeitável volume de vendas na ordem dos 4,3 milhões de veículos por ano.

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