Opel GT faz 50 anos

17 abril 2018

A lenda deste GT inicia-se com um ‘big bang’ no Salão Automóvel de Frankfurt de 1965, onde a grande estrela do ‘stand’ da Opel foi um irreverente modelo desportivo de dois lugares com silhueta muito esguia, ‘nariz’ baixo, faróis escamoteáveis, guarda-lamas salientes e traseira curta.

Até então, nenhum fabricante europeu se atreveu a realizar algo semelhante. Na verdade, o Experimental GT era o primeiro ‘concept car’ apresentado por uma marca alemã. A autoria era de Erhard Schnell e da sua equipa de ‘designers’, que haviam estreado, poucos meses antes, o novíssimo “Styling Studio” da marca em Rüsselsheim - o primeiro centro de ‘design’ de um fabricante de automóveis na Europa.

A ousadia foi plenamente recompensada no Salão de Frankfurt desse ano. Tanto a imprensa como o público renderam-se às linhas do Experimental GT e teceram grandes elogios ao avanço da Opel. Ninguém esperava da parte da marca um modelo desportivo tão radical que não demorou a receber luz verde para a sua produção. A primeira unidade do Opel GT saíu da linha de montagem em 1968.

O formato do GT de produção era consideravelmente diferente do do protótipo de 1965, exibindo linhas mais musculadas, a frente mais larga e a projeção dianteira mais curta. A protuberância para contornar os componentes do sistema de alimentação do motor permitiu manter a linha muito baixa do capô. Mas os recortes retangulares dos faróis do protótipo foram substituídos por molduras arredondadas que contribuíam para dar ao GT uma aparência ainda mais original.

Tal como o exterior, o habitáculo do Opel GT era muito avançado para a época. Saltavam imediatamente à vista os bancos tipo ‘bacquet’, o belíssimo volante de três raios e os mostradores redondos. Ainda hoje, o ambiente e a ergonomia de automóvel desportivo deste Opel não deixa ninguém indiferente. Contudo, apesar da emoção subjacente ao GT, os ‘designers’ não deixaram de contemplar os mais avançados sistemas de segurança da época, como cintos de segurança de três apoios, estrutura de tejadilho reforçada, proteção contra embates laterais e coluna de direção telescópica.

O Opel GT oferecia duas motorizações à escolha. O mais acessível 1.1 provinha do modelo Kadett e debitava 60 cv de potência. O outro era o mais potente 1.9, com 90 cv, oriundo do Rekord. O GT 1900 ganhou rapidamente grande popularidade graças a ‘performances’ de relevo para a época, como a velocidade máxima de 185 km/h e a aceleração de zero a 100 km/h em 11,5 segundos. A transmissão às rodas traseiras era efetuada através de uma caixa manual de quatro velocidades. Na Europa, muito poucos clientes encomendaram a caixa automática de três velocidades, que era mais requisitada do outro lado do Atlântico, para onde a Opel também exportou o GT.

Devido às suas caraterísticas, o GT era um automóvel ideal para corridas. Entre muitos sucessos contam-se as vitórias obtidas pelos Opel GT preparados pela escuderia italiana Conrero em provas de longa distância, no início dos anos 1970. Em 1971, Georg von Opel, neto do fundador da Opel, decidiu elaborar uma versão GT com motorização elétrica, capaz de atingir velocidades da ordem de 190 km/h, vindo a estabelecer vários recordes mundiais.

Em junho de 1972 a Opel construiu um GT com motor diesel que fixaria dois recordes mundiais e 18 recordes internacionais em provas realizadas no centro de testes da Opel em Dudenhofen. Um desses impressionou: velocidade de 197 km/h ao cabo de apenas 1000 metros era algo de inédito para um motor a gasóleo. O ‘designer’ do GT, Erhard Schnell, recorda como este GT tinha uma silhueta ainda mais baixa. «Não tínhamos orçamento ilimitado, pelo que decidimos pegar num dos protótipos de estudo para um descapotável e cortámos o para-brisas…»

Em 1969, no Salão de Frankfurt, a Opel apresentou o protótipo Aero GT com óculo traseiro que baixava eletricamente e tejadilho amovível. Por muito que este fosse um modelo de sonho para os adeptos dos descapotáveis, o projeto não passou da fase de estudo de ‘design’.

O Opel GT esteve em produção até 1973. Com elevado desempenho dinâmico, ‘design’ exclusivo e preço acessível, a popularidade do GT excedeu todas as expetativas. A produção alcançou um total de 103.463 unidades em apenas cinco anos. O radical Opel GT teve clientes apaixonados na Europa e nos Estados Unidos da América. Alguns ainda mantêm os seus automóveis e participam em encontros de automóveis clássicos.

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